Em 2007, quando colhia informações para um trabalho do curso de especialização que fazia na UnB, entrevistei a atendente da lanchonete da academia que frequento.
Segue um trecho do diálogo travado:
- Márcia*, você utiliza o SUS quando precisa fazer uma consulta médica ou um exame?
- Não.
- A academia tem um plano de saúde para os funcionários?
- Não.
Naquele momento fiquei confuso. Será que eu acabei achando que ela deveria ter atendimento médico público somente pelo fato de ser atendente em uma lanchonete? Será que, por esse motivo, ela não poderia ter um plano de saúde particular?
- Então você tem um plano de saúde particular, né? – Perguntei meio que já sabendo que a resposta seria sim e que ela iria me questionar se não poderia ter.
- Não. Respondeu em seguida.
Como não!? A confusão em minha cabeça aumentava.
- Mas você já precisou ir a um médico ou hospital, né? – Foi o que consegui perguntar.
- Já. Várias vezes. Semana passada mesmo eu tava com dor de ouvido e fui no médico lá em Taguatinga.
- Você paga as suas consultas? – Foi o que me restou perguntar, não tinha mais opções.
- Tá doido, Wilson! Tenho dinheiro para isso não! Vou em hospital público mesmo!
E agora, José?! O SUS existe desde 1988, essa garota tem 18 anos. Ou seja, o Sistema Único de Saúde já existia quando ela nasceu e até hoje ela não sabe o que é? Sempre utilizou e nunca soube disso?
Podemos juntar a essa garota diversas outras pessoas que ainda creem que o atendimento médico público é prestado pelo INAMPS ou, indo para uma faixa etária um pouco maior, que precisam entrar na fila do INPS para receber tal atendimento.
Isso sem contar que o SUS não se resume a atendimentos médicos. É um sistema que tem por objetivo cuidar da saúde da população em todos os seus sentidos, promovendo a saúde e qualidade de vida dos cidadãos, colaborando para o bem-estar da população.
Por isso envolve, também, as indústrias que produzem medicamentos, as farmácias, os planos de saúde, as indústrias que produzem alimentos. Os médicos, clínicas e hospitais particulares também dependem do SUS para prestar seus serviços. Até o pãozinho com manteiga e café do nosso desjejum depende do SUS.
Do meu ponto de vista, falta um trabalho mais forte de divulgação do SUS. Falta esclarecer o que é, para que serve e os benefícios que esse sistema trouxe e poderá trazer ainda mais para a população brasileira.
Não basta colocar a logomarca do SUS nos banners e anúncios de campanhas se quem chama a população é o Ministério da Saúde ou as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. A logomarca por si só não diz muito para a maioria da população, pois a possibilidade dela ser informativa depende de como é colocada e de como é recebida.
Esses momentos de contato direto com a sociedade, como nos casos das campanhas de vacinação, devem ser aproveitados para ampliar a divulgação do SUS. Os gestores devem ter em mente que um dos elementos que precisam ser otimizados para dar maior relevância à informação é a oportunidade. E é nesses momentos que o valor potencial da informação está mais elevado, influenciado pela utilidade que o cidadão identifica para os seus objetivos.
Feliz 2011 e até a próxima!
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